Wednesday, October 13, 2004

Ruanda, anti-americanismo, pacifismos parciais e a arte de deformar a informação

Num jornal italiano li as declarações de um conselheiro de Clinton dizendo que se manteve à margem do que aconteceu no Ruanda porque o povo americano estava traumatizado das imagens muito divulgadas da cabeça de um americano a ser arrastada pelas ruas de uma cidade africana com grande alegria da população.
Mas grande parte dos meios de informação deu as culpas aos USA por terem permitido o genocídio sem intervir. Não sei porquê só em 1983 e 1984 apareceu nos meios de informação em Itália muitas acusações aos USA como se fossem os grandes culpados deste genocídio por não terem intervenção.
Porque razão numa Itália com tanta manifestação dos pacifista de Che Guevara a queimarem as bandeiras americanas pela intervenção americana no Kosovo, Afeganistão e Iraque acusam os USA tanto pelas intervenções militares como pela falta de intervenção?
Mas mais curios acontece no fórum http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=35921&cidade=1&forcarcomentarios=S#50062 :
Fernando Negro em 02-04-2004 coloca uma grande notícia em inglês com o título em português: "EUA escolheram ignorar genocídio no Ruanda ..." ( http://www.guardian.co.uk/usa/story/0,12271,1182431,00.html , US chose to ignore Rwandan genocide).
Para muitos que não conhecem inglês fica a mensagem do título de acusação aos USA. Para quem ler todo o texto em inglês cheio de culpas aos USA só no final fala de apoio francês à outra parte. Note-se que este texto é tirado de um livro, imagino que é a parte mais anti-americana, e só aquela parte que mais anti-americana.
É evidente que todas as guerras trazem vantagens para uns e desvantagens para outros. É evidente que em todas as guerras uns recebem armas e apoios de uma parte e outros de outras. O facto de aparecerem dez anos depois umas interpretações tomando nitidamente partido por uma parte contra a outra é uma deformação da informação. Toda a informação, mesmo a verdadeira, mesmo a que apresenta diferentes pontos de vista deforma pela ordem, pela prioridade e pelo que escolhe.
Num fórum que me parece irracionalmente anti-americano tomei partido em sua defeza, deformando naturalmente a informação para contrabalançar. Recebi muitas ofensas que aqui deixo para a história. Eu penso que as guerras americanas do século passado livraram parte do mundo do comunismo, fascismo e nazismo. Penso que as deste século estão a alargar as democracias onde existiam ditaduras islâmicas terroristas anti-ocidentais. Mas muitos ocidentais odeiam os USA e preferem colocar-se ao lado dos terroristas islâmicos. Penso que se enganam como os pacifistas parciais contra USA quando combatia o comunismo, e indiferentes quando URSS invadiu Hungria.

3 comments:

Pires Portugal said...

>>>Mais:
http://portugal.indymedia.org/ler.php?numero=43023&cidade=1
Camboja, Albânia, Vietname, Nixon, Salazar

Pires Portugal said...
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Anonymous said...
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USA e ONU são dois exemplos muito diferentes de globalização. Com o contínuo desenvolvimento de Internet e novas tecnologias torna-se cada vez mais urgente um governo, justiça, ética, moral, deontologia, civilidade e boas maneiras de comportamento online e em tudo o que tem mais consequências globais, não tem fronteiras. Mas será melhor o pragmatismo de USA ou burocracias da ONU?