Wednesday, September 22, 2004

Civilidade ocidental, islâmica e terrorista

O confronto entre civilidade ocidental e islâmica teve expressão máxima no 11/9. Uma fracção islâmica muito popular aplaudiu o profeta da guerra santa contra os infiéis que do Afeganistão mandou os aviões contra o coração do Ocidente, a chamada "Babilónia" pela sua diversidade de culturas.
Precisamente aquelas torres símbolo do melhor do Ocidente foram destruídas pelos que "amam a morte como nós amamos a vida", creem que o seu paraíso é o nosso inferno, quanto mais "infiéis" matarem mais sobem na hierarquia do seu paraíso com as suas 75 virgens de pernas abertas a recebê-los.

No dia 2001-09-26, 15 dias depois, quando o mundo esperava a resposta do Ocidente, Berlusconi procurou unir Ocidente e islâmicos moderados contra aqueles que tinha regressado às origens de 1400 anos atrás e das suas guerras santas para reconquistar o império perdido. Grande parte do jornalismo ocidental levantou-se contra Berlusconi, deturpou a sua mensagem e transformou-a nos seus interesses: aliar os terroristas contra Berlusconi e o que ele representa: o capitalismo ocidental. As esquerdas ocidentais, frustradas pela queda do seu ídolo: URSS e com a China a tornar-se capitalista, encontraram no terrorismo islâmico um aliado para se vingarem da vitória do capitalismo e da civilidade ocidental que estava a conquistar muitos islâmicos moderados. Por razões que já expliquei em parte, mas que posso desenvolver, "Berlusconi controlava 90% da informação italiana," mas "85% era-lhe contrária". Por maior contradição lógica nestas duas expressões, repetidas em vários meios da informação, ambas se aproximam da verdade. Os jornais de Berlusconi foram criados num sistema de mercado concorrencial em que vence quem corresponde aos interesses da maioria. Só nas informações controladas de forma ditatorial como a de Saddam o poder é popular. Em Itália encontrei centenas de informações a chamar estúpido a Berlusconi e a deformar o que ele disse sem ninguém a defendê-lo nem a divulgar as suas palavras exatas que na realidade me parecem proféticas: a civilidade superior do ocidente de que falou Berlusconi não é a cristã contra a islâmica mas aqueles valores de liberdade e respeito de direitos humanos dos quais certo Ocidente esteva na vanguarda mas "conquistou" Oriente e muitos islâmicos.

Neste momento temos ocidentais eleitos graças ao terrorismo e islâmicos moderados rejeitados de certo Ocidente para não prejudicarem as relações com os terroristas.

Enquanto certo Ocidente se mostrou muito escandalizado por algumas humilhações psicológicas "sem sangue nem ossos partidos" para obterem dos prisioneiros confissões que poderiam salvar vidas de inocentes, essa "civilidade" que certo jornalismo ocidental defendeu sequestra voluntários humanitários pacifistas que vão àqueles países para ajudar as suas crianças, matam médicos da Associação humanitária "Medicins sans Frontières", talham cabeças de inocentes frente às câmaras para os exibirem ao mundo através das televisões e Internet.

O mundo globalizou-se, tv, rádio e Internet já não têm fronteiras. Penso que falta uma segunda língua global, um governo, uma cultura e uma civilidade mais global, tolerante e globalizadora do melhor local, intolerante com o pior local: terrorismo, sacrifício de inocentes sem razão.

Bom ou mau é sempre relativo a cada cultura e a cada conceito de civilidade. Os "bárbaros" foram sempre os outros. Com um exemplo procuro mostrar o meu conceito de civilidade e ética superior e inferior: as duas voluntárias italianas que foram para o Iraque ajudar as crianças pertencem a uma civilidade superior. Os que as raptaram, os que mandaram os aviões contra os americanos depois de receberem 43 milhões de ajudas humanitárias, os que matam crianças para fazerem política ... fazem parte de uma cultura inferior. Os ocidentais, em especial os italianos que recolhem esmolas para as bombas que matam os seus soldados de paz empenhados em reconstruir o Iraque e se manifestam desejando "10,100,1000 Nassiryia" parecem-me inferiores em civilidade, maus, estúpidos e ignorantes.

Mais:
















POLÍTICA EUROPEIA:

CARTA ABERTA AO PARLAMENTO EUROPEU E AOS POLÍTICOS DA EUROPA: DINHEIRO DOS CONTRIBUINTES PARA MAFIAS, TERRORISMO E BRINQUEDOS DOS MILIONÁRIOS


GLOBALIZAÇÃO:








As torturas nas prisões no tempo de Saddam eram muito piores do que as americanas. Mas o antiamericanismo ocidental só viu as americanas. 

3 comments:

Pires Portugal said...

>>>Mais: Heróis à italiana e as voluntárias mortas no Iraque http://portugal.indymedia.org/ler.php?numero=45421&cidade=1

Pires Portugal said...

>>>Mais:
Mais uma voluntária humanitária sequestrada. Era casada com um iraquiano e vivia há 30 anos no Iraque.
http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=50302&cidade=1

Pires Portugal said...
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USA e ONU são dois exemplos muito diferentes de globalização. Com o contínuo desenvolvimento de Internet e novas tecnologias torna-se cada vez mais urgente um governo, justiça, ética, moral, deontologia, civilidade e boas maneiras de comportamento online e em tudo o que tem mais consequências globais, não tem fronteiras. Mas será melhor o pragmatismo de USA ou burocracias da ONU?